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Acabaram com o Simca Chambord? Entenda a relação da ditadura com o veículo

O Simca Chambord é um dos carros históricos da indústria automotiva brasileira. Também é tema da música lançada pela banda Camisa de Venus, no disco Correndo o Risco, de 1986. Na canção, Marcelo Nova diz: “Vieram jipes e tanques que mudaram os nossos planos. Eles fizeram pior, acabaram com o Simca Chambord” (em referência ao golpe militar de 1964).

Simca Chambord – O luxo no Brasil

A Simca do Brasil S.A. foi uma das primeiras empresas a apostar no mercado brasileiro. Em maio de 1958 passaram a operar em Belo Horizonte (MG). Por problemas de logística, mudaram para São Bernardo do Campo (SP), que oferecia melhor condições de distribuição.

simca chambordA empresa tem origem francesa e feio para o Brasil após um acordo com Juscelino Kubitschek, que atirava para todo lado quando o assunto eram investimentos no país. Já em 1959 passou a ser produzido o Simca Chambord, que tinha design muito semelhante ao Simca Vedette Chambord produzido na França.

Ainda tratava-se de uma indústria incipiente no país, algo que dificultou muito a produção, tendo em vista a falta de matéria-prima e profissionais qualificados. O primeiro Simca Chambord brasileiro foi entregue ao presidente no Palácio do Catete (RJ).

No início, muitas críticas, principalmente aos problemas mecânicos. Para os compradores, muito trabalho para encontrar mecânicos com conhecimento para as manutenções.

O sucesso do Simca Chambord

Mesmo com muitos problemas, o Simca Chambord tinha a vantagem de ser um dos precursores no mercado brasileiro. Era o primeiro carro de luxo brasileiro. Na música do Camisa de Venus, os compositores destacam: “E no caminho da escola eu ia tão contente, pois não tinha nenhum carro que fosse na minha frente. Nem Gordini nem Ford, o bom era o Simca Chambord”.

No trecho em que cita João Goulart, a música faz referência ao governo de “Jango”, que assumiu o Brasil em momento tenso. Em um famoso discurso em 1964, o então presidente animava algumas classes com a possibilidade do aumento de crédito através de medidas consideradas “comunistas” pela oposição.

“Um dia me pai chegou em casa, nos idos de 63. E da porta ele gritou orgulhoso, agora chegou a nossa vez, eu vou ser o maior, comprei um Simca Chambord” – Se o personagem da música ficou animado com a compra de um Simca Chambord em 1963, a situação mudaria no ano seguinte.

Após alguns discursos controversos, João Goulart foi deposto e o Governo Militar assumiu o Brasil. Neste contexto, a Simca ainda conseguiu bons números. No período 1964/1965, teve seu auge de produção.  Eram mais de 2300 funcionários que proporcionaram o número de 51 mil veículos (entre Chambord, Simca Alvorada, Simca Presidence, Simca Jangada e Simca Profissional).

Simca Chambord 1965 da Pastore Car Collection

O fim do Simca Chambord

A música descreve uma ligação direta entre o Governo e o fim do veículo: “Vieram jipes e tanques que
mudaram os nossos planos. Eles fizeram pior, acabaram com o Simca Chambord”. Na verdade, o que ocorreu foram mudanças econômicas.

As empresas norte-americanas passaram a ter mais espaço e ganharam muitos incentivos do governo brasileiro. Em 1965, a Chrysler (empresa dos EUA), que comandava a produção na Europa da Simca, passou a ter interesse no mercado brasileiro e assumiu a linha de produção (no fim de 1966). A marca Simca continuou por alguns meses, porém em 1967 já passou a ser chamada de Chrysler do Brasil. Com essa mudança, vieram o Esplanada e o Regente, dois carros desenhados no Brasil e que tentavam competir com o Aero-Willys e o Ford Galaxie.

Com o investimento do Governo (aproximadamente 50 milhões de dólares) na Dodge, para a produção de caminhões e fabricação do Dodge Dart V-8, a Simca-Chrysler do Brasil ficou muito enfraquecida.

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One comment

  1. Waldomiro Honesko Filho

    Sou um apaixonado pela SIMCA. Vou dizer em poucas palavras o que foi a SIMCA; nasceu FIAT, viveu como FORD,( com a carroceria do FORD VEDETE, e o motor FLATEED) e morreu como CHRYSLER ( já com o motor HEMI). Mas no Brasil não se fabricou nada que se comparasse a ela.

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